Na dança com o tempo
Tirei seus véus a dedo:
Quis ver nua a verdade crua,
Para só assim vir a ser sua.
Vem comigo vida afora
Tudo está na memória
Tenho provas!
Da conversa boa, sigilosa,
Não acreditaria, quantas trocas!
Ah...quanto tempo dessa experiência!
Que poderia ser tida como louca, tola,
Mas, que preenche e faz rir à toa...
Ainda assim
Ainda que
Ainda...
Ainda assim
Possa ainda
Ainda que...
Seja assim
Sem que ainda
Seja, enfim...
Ainda que
Doa em mim
Assim seja.
Sonetos emendados
São como cristais quebrados
Não importa se em poucos pedaços.
Que a emenda seja melhor que o soneto
Conta quem faz o remendo.
Às vezes, é alcançado o intento:
Fica o dito pelo não dito
E a emenda pelo soneto.
Outras vezes, não tem conserto
É melhor perder o soneto!
Nas minhas cordas
Pousou um pássaro
A cada nota tocada
Mudava de som minha fala!
Mansa, grave ou aguda
Com cada uma compunha
Uma melodia única,
Para entoar a ária de mais um
dia!
Dia desses fui até ele,
Quando me aproximei,
Do carro, desci o vidro e sorri.
De volta sorriu para mim!
Foi mesmo como Freud dizia,
Voltando no tempo, ainda que aqui,
No sonho realizou-se um desejo:
Ele sorriu como se fosse
A mim que via naquele dia,
Naquela foto antiga!
Não sei do que são feitos
Os fios que seguram no peito
O coração suspenso!
Um a um arrebentam,
Quando, no peito é atingido
Por dor ou decepção.
Mesmo assim, agarra-se o coração,
Pendurado por um fio,
Antes que caia no abismo de si mesmo!
No pequeno vaso
Depositei seu caule
Esperei a luz azul
Abrir seu raio de sol
A flor delicada
Agora iluminada
É só graça!
Pequena, suficiente
para poucas cenas e atos -
O básico do texto decorado.
Peça há muito no mesmo palco
Já sem diretor, de tão desnecessário,
Naquele mesmo diário;
Até o momento em que o inesperado
Muda tudo de lado,
Coloca o tempo em outro compasso.
Altera luz, marcas, som:
Desperta o grandioso,
De tanto adormecido - desconhecido.
Magnífica revelação
Só possível, quando alma e coração
Assumem a direção!
Desce água das nascentes
ávidos fios em corrente
despencam para serem como sementes.
Todo fio tem a própria potência!
Os rumos serão surpresa,
até seu destino final.
Alguns chegam lá como predestinados
outros barrados têm seu destino alterado
muitos ganham força de desejo
e, ainda que desejateidados,
cumprem àquilo a que foram chamados,
decifrando o próprio código.
Desce sobre mim o nublado do dia
Como que roubando a alegria
Com a qual me vestiria em mais um raiar de dia!
Seria ela que estaria perdida?
Tudo estava cinza.
Caminhava incerta, como que em brumas.
A espera de passar esse dia assim
Naveguei, apesar do cinza -
Dúvida que pairava sobre mim!
Guardei todas as palavras
Sem saber onde as tinha guardado
Falei sem elas mesmo!
Entre aspas destaquei pensamentos
Com travessão comecei uma oração
Com exclamação revelei muita emoção.
Ao meu lado acompanhou tudo
Interessado, sem mostra de cansaço,
Aquilo que lhe contava à moda do cinema mudo!
Saboreie o prato do dia,
Como sua comida preferida.
Saboreie o trabalho do dia a dia
Sem esperar, pela aposentadoria.
Saboreie sua companhia, seja ela quem for -
Não como sua preferida -
Essa deve ter outro valor!
Saboreie:
Tudo tem sabor,
Mesmo que nem tudo seja flor.
Enfim, saboreie
com amor seja lá o que for
Saboreie com fervor -
À vida se deve louvor!
Com ele não tem moleza
É tudo na justeza
Não adianta esperteza.
Há de se ter essa certeza:
Ele passa como correnteza!
Escuros, à sombra da noite,
Seus olhos fitam os meus;
À curta distância posso ouví-los
No compasso dos sentimentos,
Peito aberto, corpo inteiro
Sobre mim, calor em pelo.
A fala se cala:
Tudo é memória,
Silêncio e calma.
A fala se cala
Tudo é aqui e agora,
Silêncio e calma.
A fala se cala
Tudo faz parte
Silêncio e calma.
A fala se cala:
Tudo é memória -
Faz parte -
É minha história.
Tenho medo de aos deuses pedir:
Podem me atender e ser mesmo o fim.
Remendo orações para que seja atendida
Ora assim, ora não mais!
Quem sabe, possa por mais um pouco
Esticar o já esgarçado fio de esperança...
Ele tem coroa de pequenas penas
Dos pés descalços tenho pena
Já de suas penas...Não há o que ter pena!
Pena? Não faz diferença!
Nem nota a falta!
É com sua calda que se empodera.
Pudera! Não há mais bela!
O ego inflado insufla o peito
Mesmo que pareça mal acabado
Na beleza o pavão tem seu respaldo!
No caminho encontrei pedras
Umas claras, outras agudas,
Juntando umas às outras
Fiz colares, caracóis e sinuosas.
Empilhadas contaram histórias.
Com as pedras do caminho
Fiz nascer novas formas de viver!
Lavei minha alma!
Sacudida e pendurada
Achei que das mágoas assim me livrava!
Que nada!
Uma luz súbita clareava,
no chão, minha sombra projetada!
Ele já tem história!
Nasceu da alegria!
Ganhou peso dia a dia
e por equilíbrio pedia.
Soltando-se, sorria
A cada conquista;
Apesar das quedas
Não desistia!
Só se fortalecia
E expandia...
Até aonde iria?
Só Deus sabia!
Deitou-se sob seu olhar,
Apoiando- se sobre o peito,
Que prateava à meia luz do luar.
Para mais perto convidada a chegar,
Já não mais havia distância
Que impedisse amar;
Seu rosto, sem pressa, tocar
Mãos, no ar, a espalmar
Lábios, nos seus, a desmanchar...
Até, desse sonho não mais acordar...
Seu amor é sempre bem vindo
Do seu jeitinho, não tenha dúvida.
Chega de mansinho, não sem alvoroço
Tira meu sono, vira bagunça.
Os pés pelas mãos mudam a visão.
É só emoção! Parece paixão:
Acelera o coração, prende a respiração
Esconde palavras, tudo é enigma!
Pareço estrangeira na minha cabeça.
Busco clareza! Não só emoção!
No centro, majestoso,
O sol bem de perto,
É formoso por suas flores.
Sem elas e suas pétalas
O que resta à sua majestade?
Um miolo, que nada mole,
Alimenta com suas voltas
Cada uma dessas flores!

em tons pastéis
Desenrolei memórias, como fios
em tons vivos
Dos tempos com minha avó,
Que parecia trabalhar as emoções
No silêncio das laçadas do seu crochê.
O carretel de selo verde
Saltitava entre seus dedos
Que desalinhavam mais fio
Para aquela conversa silenciosa
Entre ela e a paciência.
Quando a perdia, desfazia
E repetia a expiação, até à perfeição -
Quem sabe até chegar o fim
De mais uma oração.
Cinco letras fazem com que
A gente se acenda
E se encha de gentileza!
Cinco letras têm força de natureza:
Fazem tudo, de repente,
acontecer diferente!
Cinco letras podem dizer
O quanto, para gente,
Alguém é importante!
Cinco letras que, às vezes, ficam presas
Outras, ecoam aos sete ventos...
Outras tantas, constróem confiança.
De qualquer maneira
São cinco letras feitas
Para dizerem, simplesmente:
- Te amo!
Venha cá! Tenho um segredinho!
Chega bem pertinho.
Não quero que nenhum ventinho
Separe qualquer pedacinho
Tem que ouvi-lo inteirinho
Depois guarde, bem guardadinho
Só para me contar,
Quando de mim estiver bem juntinho.
Se a esperança é como pipa
Que precisa de alguém
Que a alinhe
A ilusão é como balão:
Inflada nos tira do chão!
Meu amor dá voltas
É malabarista
Um equilibrista!
Me leva de um lado para outro
Pede de mim confiança e alegria
Tanto quando em alta, como em baixa!
Meu amor dá voltas
Me faz insistir, quando estou para desistir
Me ensina a ser aprendiz.
A porta de onde ela está,
ele não ultrapassa, sem antes investigar
o que debaixo dela está a passar!
Será ela uma ameaça?
Esconde ela alguma tramóia?
Ainda não entendeu
que é só uma máquina nova!
Com a outra não tinha essa:
Subia, brincava e, até, deitava-se!
Agora, aparece essa:
Fala mansa, com várias mudanças
Não sabe ele a que horas ela avança...
De curioso a assustado
Passa o gato, apesar da máquina.
Logo, logo há de se convencer
Que, apesar das diferenças,
Mal nenhum ela quer lhe fazer!
Era debaixo dela que ficava invisível
Girava o cabo e rodava o mundo...
Trazia o céu para bem perto dos olhos
Nele via a luz do sol e à sua sombra
Seu faz de conta acontecia
Era noite era dia e a menina
Da sombrinha não se desfazia
Abria, fechava, até o cabo mordia!
Queria sentir toda a magia
Que só ali existia!
Seria verdade ou mentira?
Era só mesmo para dia de chuva que ela servia?
Girava o cabo rodava o mundo
Entre babados e florzinhas
Sonhava a menina em sua sombrinha.
Não é mulher de covardia
Mas, precisou recuar.
Tinha a alma ferida !
Lanças afiadas, sem parcimônia,
Penetraram-na, com seu metal frio,
No cerne do Feminino!
Ao falar como cupido
Até, o Amor traiu!
Fez dele escudo,
para os desejos mais escusos...
Parece feitiço do tempo!
Adormeço e desperto
E tudo é o mesmo!
O último é o primeiro pensamento
Como se não houvesse tempo
Como se hoje fosse o primeiro momento!
Há dias que aceito e reconheço
Que esse não é só um feitiço do tempo
Tem aí feitiço de outros templos!
Vê a toalha jogada
Esgarçada de tão surrada?
Apanhou a coitada!
Ficou cheia de nódoas
Das batalhas travadas
Entre o insistir e o desistir;
Do tempo que ficou pendurada
No sol, na chuva, à deriva
Sob ameaça de ficar ressequida.
Cansada dessa peleja
Jogou-se a toalha!
Foi um basta, para ser cuidada.
Paira no ar
Como perfume
Como luz da lua a iluminar
Como alegria de sorrisos dados à toa
Como o falar de mãos e boca
Como o olhar que penetra e encontra
que se entrega de coração aberto
ao amor que tudo encanta!
Nas voltas que dei
Ganhei força!
Com pedras topei,
Folhas soltei ...
Entre verdes,
Verdades
Encontrei!
Ansioso, o mar prepara-se para ela.
Em movimentos agitados avança
E se recolhe como quem hesita
Diante do que mais deseja.
Ventos sopram sobre suas águas,
De tão agitado, não vê o mar
Que a noite chegara!
Vestida de azuis, enfeitada de lua,
Brilhante de estrelas
Deita a noite sobre o mar.
Tudo se mistura. São só espuma!
De repente me dei conta:
No silêncio, só sombra
Deixando o dia nublado
O tempo arrastado
Quase parado.
Pesando, como armagura
como se tivesse provado -
ao mesmo tempo -
da mesma agrura!
Sinto falta de chegar a hora marcada,
mesmo sem ter muito o que dizer,
não parar de falar...
Sinto falta do brilho no olhar,
do coração a palpitar,
de me abrir para lhe receber.
Sinto falta do tempo em que,
simplesmente, me deixei levar...
À noite ganha asas
Meus sonhos leva com ela...
Adormece ao seu lado,
Sussurrando-lhe um a um.
De manhã está de volta:
Cheia de si e dos sonhos
Que com ele sonhou por mim.
Se fixam nos meus
São como espelhos:
Lá vejo meus escondidos!
Em movimentos brejeiros
Não escondem sorrisos
Lá vejo minha alegria
Estáticos, como os espelhos,
Refletem mistério
Lá vejo seu muro.
Decidi me afastar
desisti de esperar;
Quis brincar de ser outro
foi o jeito que encontrou
de sentir que se achava!
A brincadeira saiu cara!
Depois de algum tempo,
não sabe quem vê no espelho
Se puer ou senex
Ser ou não ser?
Achou-se, desse jeito,
perdido de si mesmo!
Oca tonta roxa
Pouca rouca louca
Poxa!
Conta concha colcha
Choca mostra morre
Nossa!
Torta dobra canta
Corta chora cora
Reze!
Agora hora porta
Volta!
Fica resista insista
Viva!
Deita-se sobre a superfície
que gentilmente a recebe,
deixando-se marcar pelo líquido
desenhado sobre sua pele
Espessa, ainda em branco,
apela para que se conte segredos,
jurando guardá-los em hieroglífos.
Rendem-se poetas e poetisas
ao encanto da folha em branco,
deixando nos seus veios,
como tatuagem, um pouco de si.
Perto, muito perto
Naquele próximo estreito
De onde se escuta o silêncio
Que, de tanto ter a dizer,
Recua para se fazer entender!
Sem aquela que acendia meus dias
Tive que seguir. Recorri.
Outra luz, sempre em mim, me socorreu;
Mas, quase nunca se compara à alegria
Que um dia em mim acendeu.
Vez por outra não encontrando
nem uma nem outra,
No escuro dessa sombra,
Só mesmo com o tempo conto...
Guardei meu anel virtual,
Numa caixinha de cristal,
Com ele o ideal!
- Na real?
Com ou sem anel,
O amor visceral é sideral!
Ah, saudade
Que maldade!
Mesmo sabendo de mim
Me deixa assim:
Nó no peito
Olhos apertados
Sem palavras...
Ah, saudade
Que maldade!
Não faz assim,
Me deixa ir,
Apesar de mim...
Censuro as palavras
Seguro o que sinto
Piso em ovos
Assim, não consigo!
Preciso de espaço
De confiar no outro lado
Como nos braços, para um abraço.
Assim, respiro e respeito
Caibo em mim e no mundo
Porto seguro de mim
Posso ser para o outro.
Se lhe fechei as portas
foi porque nelas estive dias a fio,
esperando que por uma delas entrasse
De corpo inteiro, de alma leve
Seguro do seu desejo
De ali querer estar.
Se lhe fechei as portas
foi porque nelas estive dias a fio,
esperando que por uma delas entrasse...
Quem sabe foi por isso mesmo
Por esperar, quando já não mais devesse...
Quem sabe...
Pode ter sido apelo de alma
Ou, de repente do medo,
Da dor que veio me assombrar...
Quem sabe...
Se lhe fechei as portas
foi porque nelas estive dias a fio,
esperando que por uma delas entrasse...
Foi preciso coragem,
O que covardia pôde lhe parecer:
- Pensar mais em mim do que em você!
Aos seus sinais, a verdade,
Guardada sob ordens da razão,
Vem à tona pelo que dita o coração!
Nele os sentimentos rogam por expressão
Não se sabe por quantas vezes mais
A única certeza é que precisam se declarar.
Quase sem palavras, com toda emoção
Confessa o coração que guarda,
Com a mesma intensidade, o amor
Que nele um dia despertou!
Soltei o fio do destino.
Aos poucos o vi
na distância temida.
Quisera o destino assim.
Então, que parasse com teimosia
E o deixasse partir...
Soltei o fio do destino.
Aos poucos o vi
na distância temida.
Mergulhei na imensidão,
Em noite de sono profundo,
Ao lado dos sonhos que por ele vivi...
Profundo e brilhante,
Como água que corre adiante
Sob céu azul e quente,
Corre ele no seu fluxo...
Quanto mais passa o tempo
Mais se estende o curso
Desse amor insistente!
De minha avó, quando no auge
Dos meus seis anos!
Tardes longas passadas
Aos seus cuidados.
Manhãs, também.
Trouxe de lá a memória do som-
O som do tempo-
Que enchia seu quarto
Quando não era o tic- tac
Era o som das voltas na engrenagem
que trazia de volta a hora certa
Do despertar, inclusive.
As fantasias que projetavam
A mulher dos anos adiante
Eram marcadas pelo tic tac
Desse tempo que não via passar.
Hoje, é no meu quarto
Onde se ouve o som do tempo
A embalar os sonhos
Que adiante me levarão...
A despedida levou-o para si!
Cheia de si parecia sorrir.
Tem em seus braços
Quem há pouco,
Como por magia,
Dela se esquecia!
Ah, a despedida
levou -o para si...
Cheia de si parecia saber
quem, aqui, de inveja morreria!
À deriva vai ele
Agarrado às bordas
Do seu entorno.
Quase sem fôlego
Dá seu testemunho:
Quantas aflições!
Não sem surpresas,
Tenta manobras.
Quem sabe, resista...
Às vezes, o amor
Parece doce predileto
Da panela todo raspadinho,
Sem nela deixar nenhum tiquinho
Só para que demore a ser
Como o doce que era doce,
Mas, acabou-se!