O sol brilhou com seu calor
a relva ressequida de cor.
Formou sombra.
Abrigo para essa luz intensa
que, no seu excesso,
quase queimou
o que de mais delicado
com ela brotou!
O sol brilhou com seu calor
a relva ressequida de cor.
Formou sombra.
Abrigo para essa luz intensa
que, no seu excesso,
quase queimou
o que de mais delicado
com ela brotou!
Dependura-se tímida
Num canto, como se quisesse
Vencer um medo.
Escorregadia, evita o voo livre
Contendo em si os saltos
Que a libertariam!
O que mais pode importar,
quando há brilho no olhar;
Se já se pode confiar
E com o amor se aconselhar?
Não há de contar mais
o que se possa imaginar...
A casa em que faz moradia
é ampla, arejada e florida.
O sol penetra na sala e na cozinha,
esquentando conversas,
alimentando poesias.
Lá, as horas passam calmas
entre afazeres, silêncios e trocas.
Ali me sinto em casa,
vivo os dias como manhãs ensolaradas
e as noites como noiva recém casada.
Parte de novo!
Chegou há pouco!
Sabia que era um pouso
mas, vivi como retorno!
E o tempo me surpreendeu:
Passou, voou!
Nas suas asas
de novo o levou!
De volta à vida que escolheu
meu coração mesmo apertado
de novo ao mundo o entregou!
Recebida no altar
Do seu olhar,
Pelas mãos do amor,
Nos fizemos amantes.
Sob as próprias leis,
Tendo luz e sombra
Como testemunhas da nudez
Que, simplesmente,
Nos faz homem e mulher.
Virando páginas
Abriu histórias
Contou lembranças
Olhos atentos
Silêncio que compreende
Restaura, como artífice,
A alma retida
Naquelas páginas mal escritas!