Vi as duas da janela
Uma inclinada
De cá e a outra de lá
Havia um muro a separar
Nada que não pudessem ultrapassar
Não fossem raízes a segurar!
Pendiam seus galhos como que a lamentar
Ou, quem sabe confidências trocar
Quem sabe, só descansar ...
Vi as duas da janela
Uma inclinada
De cá e a outra de lá
Havia um muro a separar
Nada que não pudessem ultrapassar
Não fossem raízes a segurar!
Pendiam seus galhos como que a lamentar
Ou, quem sabe confidências trocar
Quem sabe, só descansar ...
Trincada, quase desfeita em pedaços,
Era como vaso de cristal importado.
Continha em si tanto espaço
Que mal sabia o que nele cabia,
O que com ela mais combinaria.
Parecia procurar e não encontrar
A justa medida!
As trincas confundiam,
Mudavam os prismas.
Já não sabia se era imagem
Ou se era miragem
Que refletia.
As almas se reconheceram
Um tanto incertas.
Avançaram, recuaram,
Ganharam espaço,
Atravessaram paredes
Abriram portas
E, hoje, visitam-se
Conversam, brincam
E se declaram.
Não se abraçam, nem dançam
Nem tão pouco se beijam.
São almas!
Emocionam-se,
Uma com a outra,
Quase prescindindo,
Dos corpos que habitam!
Os corpos aprenderam
Com as almas:
Vivem animados por elas
Cada um à sua moda,
Cada um com sua falta!
Pôs -se a caminhar em direção a,
Havia luz aqui e ali;
Nem sempre era tranquila a caminhada.
Corria riscos.
Não conseguia parar. Estava atraída.
Havia uma certeza incerta
De que só seguindo, chegaria.
Os sinais indicavam
Aqui e ali .
O destino era seguir:
O amor esperava, enfim!
Miudinhas, caindo em cascata
Fazem sombra e contraste
No verde que as suporta,
No vaso que se enfeita!
Miudinhas, brancas,
São mesmo como mosquitinhos.
Florzinhas de seda branca
De vaso em vaso, de casa em casa,
Desde que "as colhi", há quase quarenta anos,
Na casa que União se chamava!
Hoje não é domingo
Mas há música ,voando pelo ar,
Como se tudo fosse um parque!
Hoje não é domingo
Mas há música, como balões coloridos,
Voando pelo ar!
Hoje não é domingo
Mas a música,voando pelo ar,
Faz imaginar algodão doce,
Criança, balanço e namoro no parque!
Na pausa, entrelinhas,
Seu perfume inalava;
Mesmo rodeada de brisa
Nem palavras, nem sentido
Nada perdia!
A cada página virada
Mais a história compreendia
E só no final diria:
Se aprendido teria
Ou, dela me arrependido!