Não sei o que houve
Mais uma vez
Passos desencontrados.
Deixei pelo dia,
Por onde passaria,
Que lembrar de você
Enfeita o meu dia!
Não sei o que houve
Mais uma vez
Passos desencontrados.
Deixei pelo dia,
Por onde passaria,
Que lembrar de você
Enfeita o meu dia!
Subiu as escadas em voltas,
Abriu a porta onde estava,
Encontrando-a toda em dourado.
De valor inestimável
Lá, durante todo o tempo...
Uma caixa-tesouro!
Sentada ao seu lado
E, com toda cerimônia e cuidado,
Levantou-lhe a tampa!
Que surpresa!
Tudo o que sempre quis:
Desde os mais simples diálogos
Até, os assuntos mais delicados...
Escritos que se multiplicavam...
Ah... tanto podia ser evitado!
Despejado. No quarto, seus pertences.
De tudo a presentes.
Nada lhe pertence.
Sábado à tarde, em notas
Aleatórias de outrora...
Ah, as mesmas notas
Daquele estado febril!
Cheio de expectativa,
Embalado por fantasias
De que, enfim, a noite curaria feridas...
Vi seus olhos cintilando
Como que emergindo
Das águas turvas
Dos dias sem luz!
Límpidos, profundos
De uma alegria (in)contida
Que nos meus
Também, se via!
A culpa que nos habita
É como borrifador:
Borrifa de quando em vez
Memórias de lucidez
Ou de muita imaginação;
Surge de uma só vez
E, ainda, misturadas
Fazem da própria história aquilo
Que ela dita, sem muita ponderação!
Há de se ter muita cautela
Antes, de dar a ela
Abrigo ou moradia
De conselheira à carcereira
É bom saber distinguir
Antes, que ela vire
Dona e não inquilina!