Dei a ele uma caixinha
Que de pequenina nada tinha;
Era mesmo para guardar
Todas as suas alegrias:
Das maiores às pequeninas.
Nela deixaria as que juntasse pela vida,
Para quando , na visita da tristeza
Nenhuma delas com ela levasse.
Dei a ele uma caixinha
Que de pequenina nada tinha;
Era mesmo para guardar
Todas as suas alegrias:
Das maiores às pequeninas.
Nela deixaria as que juntasse pela vida,
Para quando , na visita da tristeza
Nenhuma delas com ela levasse.
Diante de sua toca
Brota ela:
Formosa, amarela,
Altiva, cada dia mais bela
Atrai o esquilo arisco
Que mil vezes ensaia
Ir até ela!
Ah, como espera,
Por uma brecha!
Num ímpeto de coragem,
Segura-lhe as pétalas ,
Roubando como a um beijo,
O doce perfume da bela flor amarela.
Querer arrancar tudo,
Como ventania,
Tudo que arranha
E faz ferida
Ah, esse querer que se avoluma,
Como onda ou ciclone,
Carregado de voltagem!
Deixa-se passar,
Como vontade interditada,
Ficando tudo como está
Sem nada mais no mesmo lugar.
Com pequenas mortes costura-se a vida:
A" morte "do sono que vem à noite
A que, com ele, pega a gente distraída
Aquela que, com seu fio,
Alinhavamos as perdas de cada escolha,
E as sentidas, durante os anos vividos.
Quem sabe não seja assim
Que a ela, aos poucos se acostume!
Dessa maneira, quando puxar de vez
O fio da vida
A gente nem sinta tanto,
Esse que é, o fim da linha.
Entre murmúrios,
As mãos são rubricas
No silêncio, são súplicas
Rogam, oram, elevam-se em oração
Entre murmúrios ou no silêncio
Dedilham histórias de amor,
Tocando a alma bem no coração.