Cortava a neve
Como se afia faca
Na placa fria precipitava
Medo e luta em curva
Sinuosas que equilibram,
Mantendo-a em si.
Cortava a neve
Como se afia faca
Na placa fria precipitava
Medo e luta em curva
Sinuosas que equilibram,
Mantendo-a em si.
No meio da multidão encontrava-se
E, para que não me perdesse
Deu um sinal de Sua presença
Sob o céu azul escuro
Encontrei, como se fosse lua,
Uma sombrinha que protegia
A presença divina: Jesus na Eucaristia.
Macios, seus pelos deslizam
Sobre a pele da tela nua
Deixam pontos, curvas
Linhas que insinuam, roçam
E tingem a tez de cada uma.
Inspirados, delicados
Nas telas deixam o que move a alma
De quem os pincéis manipula.
Mais uma vez,
Quase chegou ao topo,
Rolando abaixo de novo!
É como ter o mesmo castigo que Sisifo,
Sem seus crimes ter cometido;
Perdendo o sentido do feito
Só faz subir e descer,
Sem mais por quê.
Esquecer...
Deixar cair como neve...
Fria, branca. Branco
Que ela mesma reflete!
Sob seu manto esconder
Queimar, fazer morrer
Toda a felicidade ali nascida
Que, por ventura,
Não pudesse ser vivida!
O amor tornou-se impróprio
Sofreu censura
Imperdoável!
Agora, é próprio
De caráter irrevogável.
Passou a ser amor (em) condicional:
- Só se for amada
- Só se for amado
Verdadeiramente.
Abandonaram
Um barco no mato!
Ficou como quadro
Na parede pendurado.
Da pintura descascada
Ao pneu , como boia, pregado
Era obra que o tempo cuidava
A céu aberto, como obra de Dalí,
Um barco foi ancorado,ali,no mato!
Alice
Tão pequena, ainda
E já tão ciente de si.
Dá seus passos aqui e ali,
Mostrando aos poucos,
O que já tem em si!