Com a gente ficam, também:
O mal jeito das palavras
As páginas rasgadas
As mágoas provocadas
As feridas causadas.
Marcas deixadas -
Memória que faz lembrar
Quem somos (também)!
Com a gente ficam, também:
O mal jeito das palavras
As páginas rasgadas
As mágoas provocadas
As feridas causadas.
Marcas deixadas -
Memória que faz lembrar
Quem somos (também)!
Ah, menina, menininha aprendiz de rainha.
Um dia, altiva, saberá dar passos sobre esses saltos.
Ah, menina, menininha
Esse ensaio sobre os saltos
Que a elevam à mulher que lhe inspira
Ensinará que menina e mulher são lados
Que se separam e se unem
Como laços do feminino.
São como são
As coisas da vida
Assim, como as lidas
Páginas de um livro:
Relidas surpreendem,
Nem sempre, têm a mesma magia!
Na ponta da flauta
Notas dedilhadas,
Como letras,
Tocam a alma
Que dança,
Imaginando histórias...
Ao vento, como folhas,
Voam e vão longe...
Não me busque na sua escuridão
Não sou chama para sua solidão
Corta meu coração saber
que me usas sem compaixão.
Em dias de muitas horas,
quando escolhes se recolher,
lembras de mim, com paixão.
Naqueles em que elas são curtas
afasta-me, para sua luxúria.
É pura paixão!
Bastou deixar uma flor
Nenhuma palavra diria!
Ficou ali a flor deitada...
Não houve encontro
Nem despedida...
Palavra nenhuma diria (mais)
Do que uma flor abandonada (ali).
Poderia ser Alice,
Entrando num quadro de Dalí,
De chão amarelo deserto,
Com horas derretidas
O que levaria
Nessa incerta travessia?
Talvez, seja útil
Na bagagem levar:
Silêncio, para auscultar-se
Contemplação, para se orientar
Amor, para se suportar
Fé, para se alimentar.
As horas derretidas
Não passam, não contam.
O que conta, durante toda travessia
É como se vive as maravilhas.
Vontade de discorrer sobre histórias
Quando, cai chuva de muitas horas
Vontade de rir à vontade
Quando, tudo tem muita graça!
Vontade de sentar à mesa
Para saborear sua boa companhia
Vontade de, de repente,
Ver o tempo parar no seu olhar
E, nas suas mãos as minhas pousarem
Como pássaros, repousando seus voos ...
Amo o simples
As frases curtas, as palavras justas
Que dizem, apenas,
Aquilo, para que são feitas dizer
Sem esconder, sem ofender
- Só para me fazer entender.
Andei inclinada ao complicado
Que precisa ser adivinhado
Muitas vezes interpretado
Que palavras dúbias usa,
Confundindo significados
- Só para não se fazer entender!
Quem sabe, um bom arranjo
Entre simples e complicado
Possa ajustar passos
Desse caminhar
Que só acontece com diálogo!
Não sei! Já, não sei mais
Se ouvimos a mesma música
E entendemos a poesia...
Passou tanto tempo
Será que falamos a mesma língua?
Ou, no mesmo idioma
As palavras têm sentenças diferentes?
Quais penas nos demos?
Não sei! Já, nem sei mais
Por quê as cumprimos!
Esvaziada de palavras
Plena de certezas
Que correm pelas veias
Numa aventura
Que me põe à prova.
Me despi
Me despedi
Da pele, da fala
Que me envolve
Que me ilude
Vou só, nua e muda
Como vim.
Só sou, mais do que nunca.
Não sei o que houve
Mais uma vez
Passos desencontrados.
Deixei pelo dia,
Por onde passaria,
Que lembrar de você
Enfeita o meu dia!
Subiu as escadas em voltas,
Abriu a porta onde estava,
Encontrando-a toda em dourado.
De valor inestimável
Lá, durante todo o tempo...
Uma caixa-tesouro!
Sentada ao seu lado
E, com toda cerimônia e cuidado,
Levantou-lhe a tampa!
Que surpresa!
Tudo o que sempre quis:
Desde os mais simples diálogos
Até, os assuntos mais delicados...
Escritos que se multiplicavam...
Ah... tanto podia ser evitado!
Despejado. No quarto, seus pertences.
De tudo a presentes.
Nada lhe pertence.
Sábado à tarde, em notas
Aleatórias de outrora...
Ah, as mesmas notas
Daquele estado febril!
Cheio de expectativa,
Embalado por fantasias
De que, enfim, a noite curaria feridas...
Vi seus olhos cintilando
Como que emergindo
Das águas turvas
Dos dias sem luz!
Límpidos, profundos
De uma alegria (in)contida
Que nos meus
Também, se via!
A culpa que nos habita
É como borrifador:
Borrifa de quando em vez
Memórias de lucidez
Ou de muita imaginação;
Surge de uma só vez
E, ainda, misturadas
Fazem da própria história aquilo
Que ela dita, sem muita ponderação!
Há de se ter muita cautela
Antes, de dar a ela
Abrigo ou moradia
De conselheira à carcereira
É bom saber distinguir
Antes, que ela vire
Dona e não inquilina!
Menina, como a dos olhos,
Que se move daqui para ali
Ligeira, como a Íris grega
Se aventura aqui e ali
Traçando no ar
Arcos de luz colorida:
Os arcos de Íris!
Descascadas as cascas
Duras, grossas
Fechada em copas
Semente fértil
Que em camadas sutis
Vai se transformando
Em pura essência...
Fugiram para a lua!
Queriam viver nas alturas,
Sem , jamais, olhar para baixo!
A lua levou-os num embalo,
Acendendo de dourado o fino aro
No céu parecendo pendurado.
Aventura de lunáticos
Que, no colo da lua
Sonhavam acordados!
Um dia quero dançar com você
Um bolero à moda antiga
Sentir seu rosto no meu
Seguir seus passos
Ao som
Compassado
No corpo a corpo
De um bolero
À meia luz.
Roxo, rouxinho
Rouxinol
Em palha, metal,
Porcelana
A violeteira que encantava
Com voz de rouxinol,
Nos braços violetas carregava...
No quintal dos meus avós
Tinha dia de teatro
Com cortina de lençol!
No quintal dos meus avós
Tinha dia de visita ao galinheiro
Para ver se já havia ovos
E rotina de varrer folhas e pó.
No quintal dos meus avós
Tinha dia de brincar
De correr e esconder.
No quintal dos meus avós
Tinha comidinha verde de veludo
Raspado do úmido dos tijolos.
No quintal dos meus avós
Tinha laranja de biquinho,
Jaboticaba e muita prosa.
No quintal dos meus avós
Nossa infância fez história
Regada à água de mangueira
Em dias azuis de muito sol!
Debruçada na janela,
Mãos no rosto de flores enfeitado
Esperava pelo seu amor -
Que ele não se atrasasse!
Era dia de Santo Antônio,
Santo com quem se compromete:
É preciso fazer sua parte
Para, quem sabe, faça a dele.
Santo Antônio abençoado,
Santo Antônio de ponta cabeça,
De castigado a venerado
Só traga o amor que me mereça.
Inspirada, por um fio de lembrança,
Como que revirando gavetas,
Trouxe à tona memórias!
Lembranças de muitas histórias
Com começo, meio e fim
Com começo, meio, sem fim...
Descontinuadas por destino,
Descontruidas por dissabores,
Por ilusões desfeitas...
Memórias guardadas, apesar dos pesares,
Contam, enfim, histórias
Da vida como ela é.
O que queres de mim?
Me roubas de mim,
Não me deixas caber mais
Na vida que sempre quis!
Para aonde queres ir?
Desassossegas-te, dentro de mim!
Queres partir? Levando-me, assim
Com pouca certeza, com toda urgência ?
Alma, alma: sabes , mesmo, de mim!
Sabes que não demoro a te seguir;
Pois, só assim, sabes, a mim encontro.
Se para mãe, pai, avós
Tem dia - sem eles, os filhos,
Não há: pai, mãe e avós!
São eles que nos tornam melhores
Quando chegam e nos "chamam a."
São eles que nos veem, não só,
Como gostaríamos que nos vissem;
São eles que nos surpreendem
Sendo tão diferentes de nós
Mesmo, tendo sido, sempre
Nossos filhos.
O dia chegou na noite
A saudade derramou-se
Como que, passando do ponto;
Ah, quando o dia chega na noite,
Eu só quero ser seu amor.
E, agora Maria?
Diria: já é tarde,
Como temia?
E, agora, Maria?
O tempo passou
Foi a vida,
Como supunha?
E, agora, Maria?
Que a vida não é
E é como queria?
E, agora, Maria?
Se a sina da vida
É ser, "apenas", vivida?
Deletei os sons virtuais
Preferi ouvir a chuva que cai
O som fofo das almofadas a ajeitar
O escorregar de cabides
No seu vai e vem, de lá para cá
De roupas neles a pendurar
As portas a abrir e fechar
Deixando um som surdo
A ecoar no silêncio que é só paz.
Às escondidas,
Lia e relia
Uma relíquia!
Guardada, junto de si,
Não se sabia
Qual mistério guardava ali
Se bem uma alegria
Ou mal em que não cria
Certo era que, lia e relia
Como quem quer de cor
O mistério que só a ela cabia!
Vestida de flores
Esconde suas dores
Azuis de sonhos
Vermelhos de amor
De esperança as outras...
Desabrochando formosas
Flores, como dores,
Nascem, marcam e passam.