quinta-feira, 28 de março de 2013

Gotas Carmins



Gotas vermelhas, de brilho intenso, brilhante!
Maçã do amor, rubi e sangue,

Como num buquê de paixão e amor
vesti vermelho, marcando a boca de sedução.

Rodei, rodei rodas de pétalas vermelhas...

Colhi do amor botões vermelhos. Gotas carmins.
Orvalho fresco no meu jardim.



quarta-feira, 27 de março de 2013

Construção



Construir... Construir:
um mundo...
um amor...
uma vida...
E, depois?


Depois... Eu não sei.
Pode chover... E a chuva...


A chuva destruiria minha construção.
Ao menos, molharia meu mundo,
umedeceria meu amor
e acabaria resfriando minha vida...


O sol viria?
Viria e...


Enxugaria minha construção,
esquentaria meu amor
e acabaria por transformar minha vida
num forno!


E teria que estar sempre
Esfriando-me... Esquentando-me...


Até que já gasta não saberia
Se chovia para me esfriar
Ou se já era tempo de me fazer arder.

30/08/1971

segunda-feira, 25 de março de 2013

Super-ação


Hei de não me entregar, de não me deixar levar.
Hei de me agarrar às beiras sem para baixo olhar.
Hei de reunir todas as forças para não me soltar.
Hei de sair dessa correnteza a me puxar. 


Hei de não me entregar, de não me deixar levar.
Hei de seguir o feixe de luz que entra para me orientar.
Hei de me ater ao que está a me esperar.
Hei de ir adiante concentrada no caminho a escalar.  


Hei de não me entregar, de não me deixar levar.
Hei de me agarrar a cada vontade de sonhar.
Hei de ter forças para me lançar.
Hei de me superar.


terça-feira, 19 de março de 2013

O veneno da paixão



Dor aguda no peito... Flecha disparada!
Certeira atinge o peito distraído.
Ar preso, olhar fixo, paralisia.
Alma fisgada.


A alma fisgada, desolada clama.
Implora por alívio no peito ferido.
Envenenada pela doce e amarga poção,
A flecha desferida deixa a alma sem saída! 


Enfeitiçada, vaga em busca da alma gêmea.
Ah! Dor que nada consola! Que só se acalma
Nos braços de quem da mesma poção foi vítima!
Ah... Almas presas pelo desejo de ser uma só.  


Fusão – ilusão provocada pela poção mágica da paixão.
Magia que desfaz dois inteiros em metades. Ilusão, ilusão...
Só enquanto durar o encantamento, é possível ser metade.
Mágica desfeita: cada metade em sua inteira realidade!


Um inteiro se faz de quantas partes?
Qualidades, defeitos, jeitos, segredos, medos... Identidades.
Sem mágica, a verdade: - cada um como é!
Paixão passada... Amizade, amor ou saudades.





sexta-feira, 15 de março de 2013

Matéria Prima


Tiro tampas, jogo tintas, descarto pincéis...
É assim que, às vezes, pinto telas na imaginação.
Nenhuma forma. Tela borrada
De cor e dor :  minha matéria prima.


 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Você

Hoje queria...
Queria repousar em você,
Só para me encolher.

Hoje queria...
Escuro, silencio seguro
Só para me esconder.

Hoje queria...
Esquecer de mim até o amanhecer.
Hoje, só queria você.


Tudo Passa

Mundo gira, gira mundo.
Tempo passa. Tempo passa!
Repasso ...
Passo de novo...

Gira mundo...Mundo gira
Tudo passa.
Que passe logo esse tempo
De repassar:

As mágoas, as faltas,
Que passam girando,
Rodando meu mundo
Que fica virado...

Mundo gira, tempo passa,
Tudo passa!

Tarde Quente de verão




Tarde quente de verão...
Vozes de crianças na piscina,
Pássaros cantando,
Como crianças, brincam no céu! 


Brincadeiras de descobrir espaços,
Esconderijos, abrigos ou, de simplesmente,
Voar um ao lado do outro,
Cantando bem- ti- vi! Bem-ti-vi! 


Chegou bem perto de casa um desses aventureiros
Bem vi! Curioso, olhou para dentro,
para um e para outro lado.
Num giro, mergulhou no espaço!

Mergulhos, brincadeiras, risos, cantos e voos,
Tarde quente de verão...
Bem- ti- vi! Bem- ti- vi!
Bem vi!

Sono na mata




Sono na mata! Silencio em tons diferentes
De verde a azuis diversos.


Copas se abraçam e velam em silêncio.
Olhares corujas vigiam perigos...  


Balanço de copas, vento que sopra.
Folhas caem...


Aqui, ali, um susto de nada:
Estalos de folhas caindo no chão!  


Logo, logo, tudo de volta -
Silencio e sono na mata.






Sonhos

Há sonhos da infância,
que crescem em plena
adolescência. 

Há sonhos sonhados pela vida inteira.
Sonhos de vida plena,
sonhos de conquistar planetas, lua e estrelas. 

Sonhos, sonhados acordada 
em plena noite de lua cheia,
estrelas cadentes e brilho no olhar. 

Sonhar acordada,
sonhar de mãos dadas,
sonhar sonhos de lua cheia.

Em noite estrelada e de luar
sonhos de amar e ser amada...


Sombra e Vento

Sombra que acompanha
vento que roda em volta

transportam quem a carrega
de volta a tempos passados...

Sombra e vento fazendo história
no ir e vir de passado e presente,
debaixo de uma sombrinha.



Só uma nuvem a vagar




Na Serra do Mar não há nuvens a vagar...
Só uma cinza se desfaz!
Isolada, num ponto qualquer, escolheu só chorar.

SE



Se fosse pintora, hoje pintaria...
Pintaria a Serra da Mantiqueira.
Usaria tons de azul até quase desvanecer
E bem no meio deles - O verde,
Iluminado pelo amarelo em feixe.

Ah... Se hoje fosse pintora...

Rastros

Rastros deixados espalhados...
Homens e mulheres em seus espaços.

Esconderijos e segredos...

Diferenças que atraem e confundem
Sol e Lua, ao mesmo tempo no espaço!

Rasgos na Tela



A tela da minha sacada,
É rasgada por vôos pintados no céu...



De todos os lados,
Em manobras de vinda e ida
Criam cenários de sons e movimento.


Quem chega ?Quem vai?
O que trazem e o que levam?


 Voos da minha imaginação...



Prosa e Poesia




Hoje não fiz poesia,
Deixei meus propósitos,
Rodei em volta da prosa! 

Hoje não teve poesia,
Só duvidas rondaram e sondaram
A roda de prosa... 

Senti falta das rimas,
Da poesia que inspira meus propósitos.
Que pena, que hoje não fiz poesia... 

Hoje não fiz poesia
E nem teve poesia...
Hoje foi um dia de prosa!



Preguiça




Preguiça comprida parece lagarta.
Largada, esquecida, de tanta preguiça!

Hora passada, hora cumprida,
Preguiça esticada...

 
Lagarta esticada, lagarta comprida.
Preguiça rompida!

Vida que nasce:
Preguiça espantada.






Poesia




Poesia...
Ah! Poesia que vai e vem:
Ninguém sente, ninguém vê!

Mas, poesia há
Que, ainda, conta aquilo que se sente
E o tanto que se vê.

Ah! Poesia que vai e vem:
Ninguém sente, ninguém vê!

 

Poemas



Poemas cantam, falam,
Homenageiam e são dedicados.
Poemas contam histórias
Vividas aqui e acolá. 

Poemas pintam com palavras,
Verbos e expressões o que
Aos olhos parece poesia... 

Poemas revelam indagações,
Questionam a vida que acontece,
Aqui e ali, em todo lugar,
Sem explicação...


G.



Traços, rabiscos, luz e cor.
Dor de não saber quem sou...
Tinjo de preto, tinjo de dor.
Só por não saber quem sou... 

Traço na tatuagem como quero ser -
Ser vista, reconhecida e tida.
Traço com tinta para não me perder de vista. 

Cabelos, unhas... Tudo na pele,
À flor da pele!
Tinjo, rabisco de luz e cor
Tudo para amar e ser amada.

Pescador de Almas



Alça do mais fundo da alma . 
Aquilo que lá se perde na escuridão
Retira da sombra e faz acontecer!

 

Dá luz à alma e a faz querer viver intensamente.
Feliz, ela ensaia seus primeiros passos:           
Prazer imenso, gratidão profunda.
Sentimento de alma para alma.





















Perguntas sem Respostas



De tanto perguntar e buscar
É certo que para a vida não há respostas...
Só dúvidas e incertezas -
Nenhuma resposta com certeza!
 


Perguntas sem respostas
Dúvidas e dores expostas
Quem tem a resposta?
Não há - Só, mesmo, indagações!
 


Fica a certeza de que na vida não há exatidão,
Quanto mais se pergunta, maior a imprecisão!
Quem da explicação para essa complicação?



 

Pequenas Coisas

O cheiro de chuva refresca memórias
Perfume de flores, café, bolo e pipoca
Transportam lembranças...

Conversas à mesa despertam afetos
Ficar na cama até mais tarde
ou deitada na rede sem pressa
ajudam a guardar boas lembranças.

Ouvir, ora em silêncio, ora falando
Sobre o que se diz só na intimidade
É outra pequena preciosidade...


Partida

Acabei de tirar a poeira da casa.
Tudo limpo e arrumado! 

Acabei de repassar sentimentos,
Pensamentos e desejos.
Tudo nos seus lugares! 

Acabei de fazer o check- in
Dos sonhos e projetos para o ano que vem.
Tudo pronto para o embarque! 

Fogos, luzes e buzinas.
Alegria, brindes e abraços.
Partiu 2013!


Paixão


Nos espelhos das poças d’água
Vê-se o mundo de ponta cabeça!

A paixão que não passa de reflexo
Faz ver a vida de cabeça para baixo!                          
Quem se apaixona pelo que lhe é refletido,
Não pode perder de vista
Aquele que lhe reflete!   


Meninas dos olhos e poças d’água
Viram o mundo de pernas para o ar!

Ondas de Alegria




Alegria preenchendo espaços... Alma lavada...
Ondas que lavam praias... Alegria: tudo de novo! 

O poeta garimpeiro



Assim como as pedras preciosas,
As palavras estão encrustadas
Na mente dos poetas.


Nas cavas onde faz seu garimpo
Vez ou outra
Quase nenhuma palavra lhe resta...

Hermes (Mercúrio)




Hermes, deus que leva e traz,
Tão rápido que ninguém o vê! 

Abre as cortinas, dramaticamente!
Adentra a sala, sem pedir licença.
Algo urgente a dizer, a fazer? 

Deixa o espaço frio de espanto!
Não acaba nunca de entrar, porque entra e sai,
Como se tivesse dúvidas quanto ao que fazer! 

Traz consigo ares distantes,
Leva para, quem sabe aonde,
Nossa distraída intimidade...






Máscaras

Quem conhece quem?


O que se mostra, o que se esconde?
Quantas máscaras até alguém?
Esconde, mostra. Mostra, esconde.

Quem conhece quem?

Para muitos papéis, tantas máscaras...
Ser ou não ser, ainda é a questão!
Há máscaras que seguem padrões,
Outras, mais originais...

Quem conhece quem?

Malabarismos para colocá-las,
Malabarismos para retirá-las,
Sem fazer confusão. Sem com elas se confundir.
Mostrar e esconder eis a questão!





Luto

Luto.
Luto, para não deixar ir,
mas, aos poucos, peço à dor da perda
levar daqui o que não queria perder. 


Luto, reluto.
Luto, com as lembranças,
com a tristeza que a elas se mistura.

Luto triste.
Luto, com o cinza que fechou o tempo dos meus dias,
trazendo, de repente, as saudades
que tão cedo não queria sentir.


Lua Cheia


Hoje, no começo da noite,
O céu da minha sacada é uma imensa tela,
Pintada de azul intenso, iluminado pela lua cheia...


Sozinha ela é absoluta,
Nem nuvens, nem estrelas com ela.
Profunda na superfície da noite,
Ilude quem com ela se encanta.


Lua Cheia de suspiros, de sonhos e beleza...
Nem presa, nem solta,
Vagueia pela noite
Na tela da minha sacada.

Confiar

Confiar é como dormir.
Solidão amparada.
Silencio seguro.

Confiar é como dormir.
Sem confiança, dormir
É vigiar!


Lembranças da infância



Meio dia em Aparecida: 
Tias Ia, Lourdes e Cida.
As doze badaladas do sino da Basílica.

A rádio anuncia:
São doze horas em Aparecida,
A capital Mariana do país. 

O sino bate entre as paredes
amareladas de sol.É hora do almoço,
Na casa de meu avo.

Din-don...
                                                             din-don...
Din-don
                                                        din-don... 

Meio dia em Aparecida:
“Quem não almoça, assobia!”



Laços e Fitas


Caixa de costura, laços e fitas...
Delicadezas femininas deixadas de lado.
Mesmo sem o tempo que se tinha no passado
Não deviam ter sido desfeitas.


Delicadezas de outras formas,
Femininas e masculinas,
Não podiam ter ficado de fora

Laços são feitos e desfeitos a toda hora!


Laçar é fácil – quantas maneiras não há?
Para dar laços e mantê-los firmes
São necessárias as fitas, as costuras
E a delicadeza própria dos vínculos.






Janelas



Do lado de dentro, o seguro e conhecido – o contido:
Janelas e portas fechadas.
Silencio parado!  Vida contida. 

Janelas abertas! Lá fora:
Passos, carros, movimento...
Perspectivas... Espera... Notícias.

- O desconhecido que se mostra,
Querendo ser visto,
Quem sabe, contido...

Na janela, a vida que passa:
O vir e o porvir no vai e vem 
Da gente que passa, da gente que fica...


E da vida da gente que passa
Nesse abrir e fechar de janelas
– físicas e virtuais.



Interrogação e Exclamação




Quantos prismas tem um cristal?
De quantos ângulos podemos ver?
Verdadeiro ou falso?
Quantas premissas até cada “F”ou”V”?


Se for lógico, é verdadeiro?
Cada lógica, uma verdade?
Quantos lados tem uma verdade?
De quantos ângulos podemos ver?


Se for lógico, é verdadeiro!
Cada um com sua verdade -
Verdadeira ou Falsa -
Não importa!


É lógico que, para quem é lógico,
A própria verdade é a verdadeira!
E, dentro dessa lógica,
Que cada um convença o outro?!

Inspiração I

Há tempo não pego a caneta,
não pego o sentimento
e, nem a expressão. 

E o tempo passou...
Tantos sentimentos,
em outras formas foram expressos... 

Expressão que não foi impressa
e, não sei quão depressa
perdeu seu sentido. 

Ah... Tanta coisa encontro...
Depois de tanto tempo!
E, na palavra, o desencontro
que expressa todo o tempo que passou...


Hoje não há palavras






Hoje não há palavras
Os pensamentos ecoam sem elas!
Hoje não há palavras... 

Todas elas ficaram sem fala...
Hoje são só suspiros!




Frestas da Memória (casa da avó materna)



Pelas frestas da memória espreito
Lembranças azul e rosa,
Janelas e sol quente.                             

Raio de luz cintilante:
Vassoura e poeira no ar.
Cuidados femininos abnegados. 


Quintal, galinheiro e peru no Natal!
Molho pardo, angu, cocada de fita e
Papo de anjo. Tudo muito bem feito! 


Cheiro de verde e de café da tarde.
Crianças, teatro e pega-pega...
Tardes recheadas de sono, sonhos e espera.

Infância: tempo tecido de paciência
E doces cuidados...

Fere na Carne

Fere na carne a falta de reciprocidade.
Em toda forma de amor, a falta dela
É dor sem esperança.

Fere na carne a dor do arrependimento
Reconhecer e não poder voltar atrás.
Fere na carne viver pela metade.

Feridas na carne, 
Sentidas na alma:
Lições aprendidas.






Femininos Lilases



Formas, frascos.
Lilás em  laços
Grandes, pequenos
Perfumes.  

Luz, brilho,
Nas formas lilases
Dos pequenos, grandes laços.
Vincos. 

Vínculos formados pelos laços
Inscritos nos frascos
Pequenos e grandes
Do feminino lilás.


FELIZ ANO NOVO


Tristeza misturada
à alegria dos dias por vir.
Todo final de ano termina assim!

Ano passado, no final dele,
era este que era esperado,
com a mesma alegria misturada
à tristeza de ver ir.

Foram as esperanças –
realizadas ou não.
Foram os esforços
e os seus frutos.

Os fracassos?
Ah... Foram-se, também!
Conquistas somaram-se e,
multiplicadas, dividiram-se,
em novas expectativas...

Que venha o novo 
do ano que chega -
de novo:
FELIZ ANO NOVO!


Família

Xadrez azul, mesa branca, 
Pratos e copos,
Talheres em prata. Pronto:

Azeite, salada, frutas...
Calor, pressão,
Tudo no ponto. 

Em banho-Maria, a conversa,
Risos e sabores:
Eu e meus amores!




 

Entre Olhares



Entre olhares - olhares.
Palavras não ditas...                            

Olhar, entre olhares:
Histórias contadas,
Em tempo real!

Olhares expostos,
Almas veladas. 

Prazer sem palavras...
Almas expostas, almas veladas – 
Mistérios a desvendar.

Dedicado a J.E.A.



Em seu silencio, observa.
Afastado
Sonha , chora, conforma-se.

Mas, em dias de sol:
Pescaria, bola e suor!
Amigos e cumplicidade

Risos discretos, sorrisos nos olhos,
Coração apaixonado.
Tempo passando... 

Em noites azuis, estrelas guiam.
O menino com sonhos de homem
Amanhece.