quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Na casa do vovo "Nenem" (João Batista)

Na varanda comprida, de losangos brancos e pretos no chão de ladrilhos e grades baixas, onde era proibido criança se pendurar e, aos olhos atentos dos adultos, risadas, sussurros faziam dos domingos, regados a um  guaraná que não existe mais, momentos de encontros entre primos que o tempo não apaga .
Josés, Luiz, Guilherme,Reinaldo, Henrique; Antônios, Fernando, Paulo, Rubem, Júlio, Luiza, Lígia, Hermínia, Tereza, Aparecidas e Idalina...Todas Marias!
As mesas servidas pelas tias que iam e vinham daquela da sala,
para a da copa colocada lá fora guardavam uma hierarquia seguida à risca!
Domingos quinzenais, Natal, São João...Fogos apontados para o alto, estalos no chão e estrelinhas de barbante nas mãos...
Presépio à luz de velas e papel imitando pedra, na sala que se abria  para a varanda dos dias e noites especiais, na casa do nosso avô Nenem.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Pequeno prazer


Final de tarde, folhas e pó para varrer
lá do quintal de nossas muitas brincadeiras.

O som da vassoura que vai e vem
não limpa da memória o que só hoje sei
ser prazer esse pequeno dever!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Carta ao pai



Não foram poucas vezes que orgulhosa comentei com você sobre como nossos meninos estão, após todos esses anos... As mudanças físicas que sofreram desde a última vez, as semelhanças de traços, gestos, preferencias com você ; e, como vêm ingressando, cada um com seu jeito próprio, ao mundo masculino adulto.
Você, certamente, também, sentiria orgulho!
A visão de mundo de cada um deles, o esforço para atingir a meta, cada vez mais difícil, para ocuparem seus lugares nesse mundo, que já sofreu tantas mudanças desde que partiu, são percepções que tenho e divido sempre, em pensamento, com você.
Cada um deles, é mesmo o melhor que poderia ter deixado aqui. Sou-lhe grata por isso.
Até qualquer momento.
Com saudades, despeço-me. 





sábado, 19 de dezembro de 2015

Lágrimas

Diamante em gotas nas folhas
como lágrimas brotam,
saltam, escorrem dos olhos à boca...
Sentimentos preciosos!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Cansaço

Pêndulo que cambaleia
de um lado para outro
busca no sono
a leveza dos ombros
onde repousa o cansaço.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Os olhos da dor


Abatida no peito, sem dó, pelos olhos da dor.
Inconformada sem cor, sem volta
Perdida...
Caída.


Dó no peito, vi nos olhos da dor:
Tormento, ira. Vazio.
Ouvi suas palavras ocas
Despedaçadas...


Em cólicas, atada no peito por nós
Desfeitos, em suspiros...
Só dor.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Pranto barrado

Pranto preto escorre na
porta prata no campo aberto
verde.

Pranto escorre barro
barranco abaixo escondendo
de santo à diabo!

Diacho de pranto contido!

sábado, 31 de outubro de 2015

Sigilo

Guardadas como tesouro
palavra por palavra,
pensada ou sem escolha,
percorrem as vias do corpo
e, na arca do peito são derramadas...




sexta-feira, 30 de outubro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Alma tela

A alma tela,
pintada de tintas e traços leves,
conta sonhos nascidos
do choro surdo, sufocado
pela dor do corrompido.






quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O homem que não desliga

O homem que não desliga
não se liga no que está ligado!

Vai daqui para lá, nem ligando,
Como se tudo fosse automático!

No mundo onde nada é desligado
vive o homem ligado na sua!


sábado, 17 de outubro de 2015

Liberta, a alma escravizada deseja.

Ciclos

Cristais quebram,
lágrimas secam,
suspiros morrem.

Mágoas mancham
boas lembranças.

Ventos sopram,
marés sobem.

Duvidas embaçam
o brilho dos olhos.

Frutos murcham,
pétalas caem.

Sementes lançadas
Em terreno fértil 
disseminam novas escolhas.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

As quatro estações e o amor

A primavera me lembra o amor primevo.
O verão o amor passageiro.
O outono os desencontros do amor.
O inverno o amor eterno!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As portas sagradas do tempo


tic tac...tic tac... tic tac...
Nas paredes da vida,
como coração e suas batidas.

tic tac...tic tac... tic tac...
Sobre o filtro de água na casa da infância,
regendo o tempo da parede, nas outras instâncias.


Hora inteira, meia hora, depois de voltas
até a hora da hora certa chegar.

tic tac...tic tac...tic tac...
Uma mão de cada vez.
Dos avós, pai, mãe, irmãos.

tic tac...tic tac...tic tac...
Agora, nas minhas mãos
aos olhos dos que virão.


tic tac...tic tac...tic tac...
Chegou minha hora de abrir
as portas sagradas do tempo...








terça-feira, 22 de setembro de 2015

Tempo levado

O tempo que brinca comigo,
Ora me deixa apanhá-lo,
Ora me põe a indagar!

Como posso me encontrar
Sem deixar o tempo escapar?

Tempo,tempo ... Ah, tempo levado!
Se vejo as horas passar
Foi porque me deixei escapar!

Com tempo não é bom brincar.
É perda de tempo. Melhor é ficar
Sem nele pensar!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Quando foi?

Quando foi que me armei de certezas,
empunhei a coragem e vestida de força
segui  em frente?

Certezas forjadas por dúvidas
nas noites escuras e solitárias
me encheram de medo e armas.

Batalhas dos dias vencidos
aos poucos deixaram cair pedaços
dessa roupa vestida à força.

Cores, metal e flores aos poucos
deixados à mostra, revelam agora
a coragem de ser, apenas, quem sou.





sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Onde corre amor

Margens que não se tocam,
Entre si abrem um canal.
Emoções expandem e se retraem,
provocando ondas fecundas.

Lados inundados.Fertilizados
colhem desejos, sonhos plantados
a sós e de cada lado das margens
onde o amor segue seu fluxo...

sábado, 22 de agosto de 2015

Velhice

Estar e não estar.
Saber e esquecer.
Escutar e não ouvir.
Acordar e dormir.

Seguir, com lembranças perdidas
na escuridão, no vazio que se preenche
e se esvazia no olhar presente que se perde
a cada instante do dia...

Estar e não estar.
Saber e esquecer.
Escutar e não ouvir.
Acordar e dormir...

Nos braços da velhice,
que não é passado, nem futuro:
mas, presença!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Amor sem palavras

O amor sem palavras é gesto, alma...
Silenciosa cumplicidade.
É aliança generosa que fecunda confiança...


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Status

Hoje estou para ópera, lago dos cisnes,
drama, beleza, musica clássica.

Hoje estou para um silencio estético,
cheio de notas, gestos e delicadezas.

Hoje estou para tons de vinho, floresta,
mar profundo, céu escuro, sem estrelas.

Hoje estou para velas e pouca conversa.


sábado, 1 de agosto de 2015

A nuvem de desesperança se desfez como poeira.

O apito

O apito do trem que roda,
roda sobre rodas de borracha
entrou pela janela aberta da memoria,
levando meu pensamento como fumaça...

Quantas voltas no tempo?Quanto fez sonhar?
Crianças da infância se despedem,
descendo um a um os degraus
de sonhos do trem 

que apita, apita levando
meus pensamentos como fumaça...

terça-feira, 21 de julho de 2015

Se soubesse...

Se soubesse teria de volta
o pedaço de tempo
que dei à esperança.

Ao esquecimento entregou!
E, sem saber que era tempo perdido
Fiquei esperando, esperando...

Ah...Se soubesse
que faria isso comigo,
não teria meu tempo perdido!

domingo, 19 de julho de 2015

Esperar

Esperar deixa a gente no ar,
deixa a gente sem chão,
como se a vida corresse,
em outra dimensão!

Esperar é ficar em algum lugar,
nem sempre onde se quer estar.
Um lugar em que pode ser,
onde pode, até, nada acontecer!

Como não ficar nesse lugar,
nessa outra dimensão, sem ficar
sem ar, sem chão, empurrando em vão
o tempo de esperar?




terça-feira, 14 de julho de 2015

Adeus


Num abraço que se alonga
nos braços que o deixam ir,

como seda em queda do pescoço,
os lábios esboçam o que não dizem.

Meu coração já triste, na distância
perde você de vista...





segunda-feira, 6 de julho de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

O relógio do meu tempo

O relógio do meu tempo
brincou de correr e parar!
Tentava segurar o tempo que faltava
para a hora certa chegar.

No relógio do meu tempo
os ponteiros nunca marcavam
a hora desejada:
ora paravam, ora corriam.

E foi assim, que na hora certa
hora passou, hora correu
e o meu relógio deixou o tempo escapar...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Amor guardado

Hoje procurei,
Quem ontem já não encontrei!
Abri, revirei e de poeira me cobri.

Camadas e camadas de pó
Esconderam dentro de mim
O amor que guardei só para ti.







domingo, 14 de junho de 2015

À mar

Me leva, leve no seu colo
manso, ondulado e morno.

Me leva, leve no balanço,
para no seu embalo perder meu contorno.

Me leva, leve, me leva, leve
no embalo do seu balanço suave e ondulado.

Me leva, leve no morno do seu colo
sem meus contornos, dor ou sonhos

Me faça água, me faça à mar...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Delírio de amor

Delírio: vinho deitado no leito da boca
que sorve até a ultima gota

o vermelho tinto da emoção
que rouba juízo...

Tontura, vertigem, viagem sem rumo.
Destino daqueles que se lançam
No amor - sem juízo!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Da infância vem a leveza,
da maturidade a certeza de que a vida
precisa da beleza do olhar da criança,
que é só surpresa!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Quisera saber



Quisera saber contar as vezes
que atormentada tive que apagar
o brilho das estrelas,
cobrir com véu fino a luz do luar
sobre o mar que se agitava no meu peito.

Quisera saber contar as vezes
que atormentada tive que enganar
a bússola dos meus sentimentos,
para não me perder em devaneios.

Quisera saber contar as vezes
que atormentada tive que me defender
com armas que me feriram e me deixaram
a mercê do meu amor por você. 
  


quinta-feira, 30 de abril de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Enganos da vida

Fios de teias, 
seda que engana.

Tecidos caprichosos
em cenários primorosos
enredam, mascaram.

Escudo que alimenta a vingança
tecida na seda,
às claras, sem pressa.

Certeira, traiçoeira no escuro move-se...
Nos fios de seda
os enganos da vida. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

"Dois para lá, dois para cá"

Mãos nos ombros,
outras na cintura.
Olhos nos olhos...
Delicado abraço.

Em movimentos lentos,
coração acelerado,
pés nas nuvens,
no salão à meia luz...

Só seus braços
meios rostos
no inteiro de nós dois:
dois para lá, dois para cá.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dor do Tempo

A dor do tempo atravessou meu peito.
Lança afiada, impiedosa.
Tudo jorra a golpes de lágrimas.

Ah, tempo que tudo mostra!
Espelho injusto.
Rio sem curva.

Nele passo, repasso
nem posso disfarçar.
A dor do tempo atravessou meu peito.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Outro dia

Outro ... Ah...
                   outro dia...

Nada como um dia
                   após outro... 

Outro dia... Ah... 

sábado, 4 de abril de 2015

Janelas Fechadas

Vou fechar todas as janelas.
O som, a luz, tudo que passa
é como ventania...

Preciso fechar as janelas.
Muito barulho do lado de dentro:

Sentimentos rolando de lá, para cá.
Pensamentos correndo de um lado para outro.

Espaço apertado para tanto movimento!
Tudo cai, despenca. Cachoeira às avessas.

Vou me fechar em conchas e esperar...
Esperar a ventania passar. A água escorrer...

Mesmo que nada fique molhado
E tudo em seus lugares
Vou fechar todas as janelas. 









quarta-feira, 4 de março de 2015

Já não basta!

Já não basta 
ter calada a voz que no silencio ouço,
tocar a imagem que no escuro vejo.

Sombras que não alcanço,
que entrelaçam e trespassam
desejos inconfessáveis.

Histórias escritas com tintas vivas
que misturam e desvanecem
momentos inesquecíveis.

Já não basta sonhar!







quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Se

Na vida há momentos
de dor, amor e felicidade

Que por mais que deles se fale
só se é compreendido, se

Da própria dor, amor ou felicidade
tenha-se sido um bom ouvinte.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Bons momentos

Nos baús da memória as trocas
são guardadas, embaladas
no carinho e na alegria
dos bons momentos... 






terça-feira, 27 de janeiro de 2015

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Espaço Aberto

Espaço para criar, voar, orar.
Espaço azul, rarefeito, perfeito.
Espaço interno, inteiro, refeito...

Espaço pronto para encontros:

de palavras e sentimentos
de vozes, gestos e desejos
de corpo e alma.

Espaço aberto.

domingo, 4 de janeiro de 2015

De janeiro a dezembro

Janeiro, janela do ano inteiro.
Dela vejo adiante fevereiro,
Setembro e, logo ali, dezembro!

Antes, as ruas dos anos eram longas...
Mal dava para ver abril, maio adiante...
Ah, como agora, essa rua é curta!

São Sebastião do Rio de Janeiro, São Paulo.
Carnaval, Páscoa, dia das mães, pais,
Pátria, crianças. Nossa Senhora Aparecida!
Fim da rua! Que beco sem saída!

Natal de novo! Dezembro.
Pronto: fim de ano.
A rua acabou! O tempo passou...