Amanheci com a energia
Dos dias de sol e céu azul.
Só alegria, dentro de mim:
Energia que me impulsiona
Que me faz ir!
Como o sol que ilumina,
Pode arder, de tanto querer!
Amanheci com a energia
Dos dias de sol e céu azul.
Só alegria, dentro de mim:
Energia que me impulsiona
Que me faz ir!
Como o sol que ilumina,
Pode arder, de tanto querer!
Não vou fugir à tradição
Do ano me despedir
E dar ao novo as boas vindas!
A tirar por tudo que aconteceu
2020 foi mesmo cheio de frustrações
E, por que não, de muitas lições!
Não faltaram limitações, discussões
Incertezas e, apesar delas, renovações
De votos, de práticas, de percepção !
Enfim, estamos em mais um fim
Que acaba sem conclusão
Mas, com perspectiva de vacinação!
Que não seja ilusão
Tampouco desilusão
Que venha mesmo como renovação.
Bem vindo 2021,
Não repare na falta de animação
Estamos mesmo sem fôlego,
Carecendo de recuperação!
Simples
Simples assim
Como são
as coisas que são
Como isso e aquilo
Simples
Simples assim
Como plantar e colher
É dar e receber
Simples
Simples assim
Como desejar e dizer
É pensar, antes de fazer
Simples
Simples assim
Como duvidar e perguntar
É não saber e aprender
Simples e tanto
É mais simples
A vida
verdadeira
Em si!
Faltam palavras,
Certamente, pela mescla
De tudo que, ainda,
É 2020!
Normalidade suspensa.
Normalidade imposta,
Pelo poder da negação,
Como recusa à frustação!
Normalidade mantida
Por falta de escolhas
Nos riscos do tudo ou nada:
Normalidade (a)creditada!
Crenças não faltaram:
Justificadas ou como justificativas-
Nortearam e desnotearam
Otimistas, realistas e pessimistas.
Ano perdido? Tenho dúvidas!
Nesse caos, há matéria prima!
Dentro do que está sendo 2020
Para cada um, desejo:
FELIZ NATAL e FELIZ 2021!
Fui arrebatada
Andava entediada,
Quem sabe, distraída
Foi como folha jogada
Por ventania repentina
Como a anunciada
Virada de tempo ignorada!
Depois do que é passado,
Dos danos o inventário :
Da viagem em suas asas,
A folha lançada retorna
Menos verde, deveras
Madura , mais leve
Repousa serena
Na folha onde agora
Às palavras é lançada!
Hibernei por tempos
Que nem sei
Parada em mim
Fiquei como se
Fosse e voltasse
Sem andar,
Cansei
De qualquer coisa
De coisa nenhuma
De nada, em suma,
A não ser de ficar
Sem mudar coisa alguma!
Com seu rosto em minhas mãos
recolhi saudades, desilusões
dores só conhecidas pelo seu coração.
Cuidei para que cada beijo dado
fosse como colo,
para cada lágrima derramada.
Com seu rosto em minhas mãos
travei o tempo,
mimando meu coração...
Não há como fugir
Dói aqui,
Como aperto
Sem nó!
Não há como fingir
Dói aqui
A dor de decidir
Partir sem querer ir...
Agora, já era
Não deu para ela!
Pudera, na certa,
Correra às cegas!
Nem vira que
Era só ela!
Quem dera pudesse
Desta vez, estar certa
Não ser , apenas,
Mais uma quimera ...
Se dó soa pena
Ré pede reflexão,
Para que mi
Não se repita
à exaustão!
Já o fá, como faca,
Corta a razão da fé -
Que é luz e esperança
Como o sol, lá, no iní["ci"]o
Tem a chave para
Um novo despertar.
Ah... os olhos!
Neles a interseção
entre um eu e outro.
Nela, a perfeita união,
Onde nos atravessamos
e nos encontramos -
tão iguais, tão um mesmo!
Ah... os olhos!
A interseção
que permeia
dois inteiros.
Quando me prendia, me perdi
nos passos agéis,
nos frágeis laços da paixão...
Quando me soltei, me prendi
ao amor, sem laços.
Sigo, agora, os passos
que minh'alma dita.
Dos rascunhos
Palavras ditas
Foram tiradas
Nada mais diziam
Daquilo que um dia
Teria sido
Tudo que se queria dizer!
Houve um tempo
Em que tudo
que era - estava.
O vento ventava,
A água corria
A terra amparava
A rotina segura
Cheia de vida
Seguia na lida
Tudo que era- estava
Vida seguia
Seu curso, seu fluxo
Sob sol, lua e estrela
Tempo marcado
Tudo que era - passara.
Palavras enviaria
Se as encontrasse
Como frutas em bancas
Flores em pencas
Ou, simplesmente,
como letras.
Se as encontrasse
Em forma de letra e música
Quem sabe as ouviria.
E , assim, saberia
Que, para dizer,
Palavras não encontrei!
.
De tudo o amor resguardou:
o que podia ser desencontro,
quando, ainda, era só encanto.
De tudo que não foi só sonho
de sustos despertou:
- foi tudo quase como desejou!
No quase -
quase foi tudo aquilo
que um dia o amor resguardou...
O sol brilhou com seu calor
a relva ressequida de cor.
Formou sombra.
Abrigo para essa luz intensa
que, no seu excesso,
quase queimou
o que de mais delicado
com ela brotou!
Dependura-se tímida
Num canto, como se quisesse
Vencer um medo.
Escorregadia, evita o voo livre
Contendo em si os saltos
Que a libertariam!
O que mais pode importar,
quando há brilho no olhar;
Se já se pode confiar
E com o amor se aconselhar?
Não há de contar mais
o que se possa imaginar...
A casa em que faz moradia
é ampla, arejada e florida.
O sol penetra na sala e na cozinha,
esquentando conversas,
alimentando poesias.
Lá, as horas passam calmas
entre afazeres, silêncios e trocas.
Ali me sinto em casa,
vivo os dias como manhãs ensolaradas
e as noites como noiva recém casada.
Parte de novo!
Chegou há pouco!
Sabia que era um pouso
mas, vivi como retorno!
E o tempo me surpreendeu:
Passou, voou!
Nas suas asas
de novo o levou!
De volta à vida que escolheu
meu coração mesmo apertado
de novo ao mundo o entregou!
Recebida no altar
Do seu olhar,
Pelas mãos do amor,
Nos fizemos amantes.
Sob as próprias leis,
Tendo luz e sombra
Como testemunhas da nudez
Que, simplesmente,
Nos faz homem e mulher.
Virando páginas
Abriu histórias
Contou lembranças
Olhos atentos
Silêncio que compreende
Restaura, como artífice,
A alma retida
Naquelas páginas mal escritas!
Passeando pelos seus jardins
debaixo de suas sombras
ouvi sua fala distante:
como quando não se fala de si.
Dali não saí feliz
sem antes conseguir saber
que o que com a tristeza escondia
eram as cores do arco-íris!
Se hoje já fosse o outro tempo
a primavera que segue o inverno
já não estaria só esperando
como outono que chora
e desbota sonhos...
Seria cor, seria só o amor,
que por todas as estações passou,
e fruto maduro a você se entregou.
Queria ter sempre por perto
Como esse espaço aberto
Onde pudesse decerto
Dizer o que mais quero!
O que me desperta
Intriga e me alegra
Nem sempre me ocorre
em palavras ou versos!
Trouxe para perto de mim
os sons do dia a dia:
de pequenas cachoeiras à pressão do vapor,
aos motores que movem a rotina.
Cascas debulhadas, cortes à faca
compõem, com esses outros sons,
a melodia que embala minha lida.
Na ponta dos dedos, na palma das mãos,
o frio, o quente e o morno das estações
não deixam tanta vida correr em vão.
Trouxe para perto de mim
o ritmo e a alegria da vida -
que, assim vivida - não é perdida:
é plena em si!